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Neste período de relativa recuperação dos mercados, após um crash de 50% no PSI 20 desde Dezembro de 2007 para cá, todo o cuidado é pouco. Se olharmos para os fundamentais das empresas, as acções estão extremamente baratas. Bancos como o BES e o BPI estão com PER (baseados nos resultados correntes de 2007) de 4.7 e 6.7, respectivamente, valores nunca vistos. Os Dividend Yields das principais empresas também estão incrivelmente atractivos: Os bancos atrás mencionados têm 5.9 e 8.4%, respectivamente, um conjunto muito largo de outras blue-chips apresenta valores dos 4.5 aos 6.8%, e a PT, ZON, e BANIF batem todos os recordes, com valores entre os 9 e os 13%! A análise dos PCF e dos EV/EBITDA igualmente demonstra a situação extraordinariamente barata das acções, que foi obtida pela conjunção dos constantes aumentos de lucros e vendas do período 2003-2008, com o presente crash de 50% nas cotações.
Quererá isto dizer que é um bom momento para entrar comprador, ou reforçar investimentos? É muito difícil responder. Os rácios acima referidos não devem servir para uma avaliação cega, só baseada nos seus valores absolutos. Deve ter-se em conta as expectativas futuras. Tal como, em muitos booms económicos, se desenvolve um bull market que tende a pulverizar as melhores estimativas dos analistas, que ficam então surpreendidos por as blue-chips terem PERs de 40 e às vezes de 100, e manterem-nos por anos sem deixarem de subir (exemplos: o bull americano do pós-guerra, o bull português do período 1981-87), também numa profunda e longa recessão económica, os PER podem ficar 3 ou 5 durante anos, e com as cotações a descerem cada vez mais. Não há nada anti-fundamental nisto. Simplesmente, os modelos de avaliação de acções (e de outros bens) têm em conta a expectativa de crescimento futuro dos cash flows dos investidores (dividendos, juros, rendas, etc). Se uma acção tiver um PER de 5, mas os seus lucros caírem para metade, e mantiver a cotação, ficará com um PER de 10 (normal-baixo), se depois voltarem a cair para metade, o PER ficará 20 (normal-alto). Portanto, podemos interpretar os valores baixíssimos dos PERs e outros indicadores, como a antecipação de uma violenta recessão, tida como quase certa, e da concomitante queda de lucros. Para além de reduções de lucros, muitas empresas, incluindo as melhores blue-chips, poderão entrar no prejuízo, não sendo mesmo de excluir algumas falências. Algumas das melhores cabeças, como George Soros, estão notoriamente pessimistas, falando da maior crise desde 1929. Pode também estabelecer-se uma comparação com o que aconteceu no Japão em 1989: um crash bolsista e imobiliário, bailouts do Estado para salvar a maioria dos bancos da falência, e uma prolongada recessão (ou seja, quase igual ao que se passa hoje nos EUA e Europa). Isso fez o Nikkei cair num marasmo de 20 anos, estando hoje a 1/5 do valor da época, nunca tendo nestas duas décadas, subido muito acima de cerca de metade dos 40,000 ponos que atingiu em 1989.
Deve apostar-se nas empresas mais sólidas, fazendo uma análise sectorial que tenha em conta as possíveis formas de os grandes processos globais em curso (crise do crédito, crash, alta das matérias primas, crescimento de gigantes como a China e Índia, aquecimento global, perspectivas de guerra, etc) afectarem cada sector, e agir em conformidade. Deve diversificar-se por fundos de obrigações de países o maiores e mais sólidos possível (veja-se os casos da Islândia e Irlanda, o tamanho dos países também conta nestas situaçõef5es). É também tempo de ler mais, de aprender mais. De ler os críticos, os que não estão feitos com os bancos e com o sistema, os visionários, que em muitos casos, previram o que ia acontecer.
Deve-se também não perder de vista que a presente crise abre boas oportunidades de acção agressiva e especulativa, tanto do lado longo como do lado curto, nos mercados de acções e ouros. Para determinar pontos de entrada especulativos, a Análise Técnica, devidamente revista de uma forma crítica, e também apoiada em considerações fundamentais, pode ser uma ferramenta poderosa.
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