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Crise financeira anunciada ou não?
Por Vasco Soares , 24/10/2008

Desde 1929 que não tínhamos vivido nada assim referem muitos analistas nacionais e internacionais. Na verdade, assistimos em 2000 a um "colapso" da bolsa das empresas tecnológicas que prenunciava o final de uma especulação desenfreada prevendo lucros futuros impossíveis e que levou ao desmoronamento das denominadas dot.com . Tal como aconteceu em 1929, a crise de 2000 no Nasdaq levou a uma quebra elevada da riqueza das pessoas sendo que o FED foi obrigado a intervir e a descer as taxas de juro de referência para níveis nunca vistos no passado recente, descendo a taxa de referência para 1%.

Esta queda das taxas de juro acelerou o movimento especulativo no mercado imobiliário, sendo que mais famílias acorreram a obter financiamentos para aquisição de novas casas ou então financiamentos (sub-prime) em cima de imóveis já com hipoteca, devido ao aumento do valor especulativo dos imóveis.

Assistimos então a um fenómeno claramente especulativo, onde o valor de rendimento que poderíamos obter com esses imóveis era insignificante face ao valor de mercado a que esses bens eram transacionados. Os bancos sabiam-no, toda a gente sabia, mas a vontade de prosperar com um forte dinamismo do mercado imobiliário era superior à racionalidade que deve presidir a quem governa. Os bancos pois ao concederem mais crédito atingiam mais lucros e os funcionários cumpriam objectivos e os governos fechavam os olhos à medida que tributavam cada vez mais os bens imóveis e detentores de rendimentos destes em detrimento dos rendimentos especulativos dos mercados bolsistas.

Os verdadeiros investidores, esses afastaram-se do mercado imobiliário especulado e só pontualmente realizam negócios pois sabem qual o custo do seu dinheiro e qual a rentabilidade mínima em termos de rendimento(renda) que o imóvel lhe deve proporcionar a longo prazo.

Resultado: Os bancos têm agora os tais activos tóxicos que não são mais que os imóveis que não têm valor suficiente para recuperar o valor do crédito concedido. Se os colocassem no mercado, os investidores apenas iriam pagar em alguns casos pouco mais de 20 a 30% do seu valor anteriormente transacionável no mercado e isso traduziria perdas impensáveis para os governos assumirem. Mas essa é a verdade e como tal os Estados irão comprar os activos aos bancos, colocá-los num fundo imobiliário e rezar para que os devedores paguem uma renda para não ficarem com os imóveis numa situação de deterioração. O Estado terá também de assumir a perda de receita das autarquias que são o principal cobrador do Imposto Municipal sobre Imóveis.

Resumindo: Quem semeia vento colhe tempestade e esta era previsível, sendo que os efeitos desta crise estão longe de ser contabilizados neste momento.



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