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Acho que poderá estar a aproximar-se a hora de investir em acções e também em imobiliário para o longo prazo. Não por nenhuma razão fundamental ou técnica mais sofisticada, mas sim porque as alternativas estão a ficar más, no seu mix rentabilidade-risco. Vejamos algumas.
OTs de Portugal ou certificados de aforro? Nem pensar, em caso algum. São lixo tóxico, embora haja milhões de portugueses que o ignoram, e continuam a ser enganados pelo Governo e a comprar, sempre com a mania de que não têm risco (deviam ler alguns livros sobre história financeira). Neste momento esse papel é do pior que há, pois nem o estarmos no euro lhe dará segurança. Se um estado entrar em default, alguém fica com papel lixo na mão, e não o fica menos por esse papel estar expresso em euros. Aliás, seria uma obra de caridade, se se iniciasse uma campanha para alertar o povo português contra esse perigo.
OTs de países que não podem falir? Bom, vamos imaginar que os EUA, Grão-Bretanha, Alemanha, e mais alguns, não podem falir. Até porque emitiriam moeda ad infinitum, se fosse preciso, para evitarem o default. Essa tem sido a solução de muitos investidores e daí a bolha nas OTs americanas. O problema, é que quem investe aí pode perder mesmo sem default: se devido ao desenfreado "Quantitative Easing" que se adivinha, as moedas respectivas (dólar, libra e euro) caírem, e aparecer inflacção, e as taxas das OTs demorarem tempo a acompanhar essa inflacção, ou não a acompanharem de todo. Provavelmente a Fed e o BCE estão a preparar isso deliberadamente: será uma forma de fazer os investidores em OTs pagarem a crise.
Depósitos bancários? Sofrem do mesmo problema do anterior: os seus juros provavelmente não acompanharão um primeiro forte impulso inflaccionista que poderá seguir-se ao Quantitative Easing. Haverá um "time lag" destrutivo de capitais. E além disso, o espectro das falências bancárias não está totalmente afastado, e as tais garantias dos depósitos não sei se se poderiam aplicar se muitos bancos falissem. Notar que os depósitos podem dar prejuízo de outras maneiras: confisco pelo Estado em caso de bancarrota, ou congelamento temporário dos levantamentos, durante um período de inflacção (isso está a suceder na Ucrânia, e outros países).
Na Expo 98 e outras zonas, e os mediadores imobiliários notam uma ligeira retoma da procura, e dizem que alguns investidores ponderam comprar imobiliário, simplesmente por ser um refúgio relativo contra estes problemas.
E as acções podem ser também interessantes. Há blue-chips a preços incrivelmente baixos e são de empresas que resistiram bem à crise. É de lembrar que os múltiplos (PER, Div.Yield, etc) estavam baratos, mesmo no pico de 2007. Agora que as cotações crasharam, e os lucros e dividendos, desceram mas muito diferenciadamente (para muitas blue-chips, os lucros desceram pouco), certas cotações ficaram baratíssimas.
O curioso é que a ideia de comprar um porfólio de acções mais seguras, pagadoras de bons dividendos, e que não incorporem na cotação grandes expectativas de crescimento, numa estratégia de buy and hold, pode ser defendida como relativamente segura, mesmo que o mercado caia muito mais, devido á lógica que expus acima. Por exemplo, suponhamos que os mercados accionistas descem outros 50% a partir de agora, com a depressão a avolumar-se. Estas acções poderão descer uns 20% apenas, por serem mais seguras (Beta baixo demonstrado no último ano), e com uma depressão tão cataso tão catastrófica, o que se tiver investido em OTs e depósitos também não está seguro; e, no caso de retoma económica, as acções terão sempre um grande upside aos preços actuais.
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