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Educação: causas de um fracasso
Por Draga-Minas , 01/02/2010

Antigamente existia um sentimento que dava normalmente pelo nome de "tristeza". Hoje continua a existir, mas mudou de nome: agora chamamos-lhe, implacavelmente, "depressão".

Toda a gente estava, às vezes, triste. Era natural. Estar triste não era nenhuma tragédia, nenhuma vergonha. As pessoas diziam às outras "Não estejas triste" ou perguntavam "Estás triste?" e isso não era considerado uma ofensa ou uma forma de diminuição do outro.

Em contrapartida, hoje ninguém diz, de ânimo leve, coisas como "Não estejas deprimido" nem pergunta "Estás deprimido?", porque isso tem o seu quê de ofensivo e, em contextos sociais mais competitivos (isto é, em quase todos), é facilmente entendido como uma forma subreptícia e mesquinha de diminuir o outro.

E de facto, enquanto o estado de "tristeza" remetia para uma nostalgia, uma faceta íntima a que nenhum de nós foge, um frágil desencanto com o mundo, um "deixar-se ir", o estado de "depressão" leva-nos hoje a pensar imediatamente em doença, desequilíbrio mental, inadaptação, fraqueza de carácter.

Antigamente, estar cabisbaixo, deixar escapar uma lágrima eram sinais exteriores de vida que faziam parte da comunicação. Hoje, "ter uma depressão" é um mal que devemos esconder a todo o custo sob pena de excomunhão social.

A civilização em que mergulhámos, marcada pela apologia da competição e do mercado, pela técnica e o desempenho como varinhas mágicas no jogo quotidiano de procurar, obsessivamente, vencer e de temer, obsessivamente, perder, está a apetrechar o nosso dia-a-dia de palavras puramente técnicas, como "depressão", que remetem para um universo autista, individualista, xenófobo e a roubar-nos a sapiência, a capacidade de usufruir a vida e os outros (e compreender os problemas de ambos) contidas, por exemplo, na palavra "tristeza".

Esta civilização e os seus valores transformaram a tristeza numa doença e obrigaram as pessoas a tomar anti-depressivos, sob pena de não conseguirem viver socialmente nem de, consequentemente, subsistir economicamente.

Acontece que, para a psicologia, a depressão sempre existiu. Ela não é apenas "a doença do nosso tempo", como se apregoa. E do mesmo modo, a tristeza, esse sentimento inevitável e quase belo, subsiste, embora tenhamos desistido de o entender e nomear.

Que fazer? Deixar os anti-depressivos e regressar aos métodos tradicionais de combate à tristeza, nomeadamente o de "afogar as mágoas", o de "mudar de ares" ou o de "distrair-se"?

Não nos parece sensato deixar os anti-depressivos. Eles são o antídoto necessário contra o pântano civilizacional a que nos conduzimos colectivamente. Antes deste tempo, quando a depressão era talvez mais circunscrita, teriam evitado muitas desgraças pessoais, algumas bem conhecidas.

Mas faz-nos falta "afogar as mágoas", precisamos de "mudar de ares", de distracção. E precisamos, mais do que nunca, de tristeza!



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