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Com o maior dos descaramentos, responsáveis da PT Multimédia vieram afirmar que, no processo de reestruturação da empresa que está em curso, poderá ser vendida a Lusomundo, por baixo preço, claro está, pois todos os negócios de media perderam valor desde meados de 2000. Se assim for, quem será o comprador desta pechincha? Balsemão, presumivelmente? Ou a Cofina? Ou até, quem sabe, o anterior dono, Luís Silva? Se não tivéssemos o público parolo, crédulo e conformista que temos, alguém deveria reparar que a Lusomundo foi comprada a Luís Silva a 86 euros por acção no ponto máximo das cotações das empresas de media, quando a sua cotação andava entre os 20 e os 30 euros e depois de ter estado entre os 8 e os 10 euros durante anos. Alguém deveria ter reparado na incrível pressa com que essa compra foi feita, em meados de 2000 (não fossem as cotações descer, o que tornaria impossível justificar um preço tão alto na OPA; mais algum tempo passado e o comprador arriscava-se a comprar mais barato...eh eh). Alguém deveria ter reparado na, quase idêntica, compra do portal Zip.net no mesmo ano. Alguém deveria notar que comprar muito caro para vender muito barato dois anos depois é, no mínimo, má gestão. Se a Impresa for o comprador do império Lusomundo por uma pechincha, alguém deveria reparar nos favores que a PTM, através da sua participada TV Cabo, está a fazer à Impresa, com a concessão de tantos canais temáticos à SIC (Miguel Paes do Amaral, da Media Capital, já reparou e já se queixou disso, escandalizado... mas mais ninguém liga). Alguém deveria reparar que o dinheiro do grupo Portugal Telecom, que pertence aos seus accionistas, na sua esmagadora maioria pequenos accionistas que não têm voto na matéria, vai sendo usado para fins não muito favoráveis à rentabilidade da própria Portugal Telecom. Depois, os analistas não se deveriam admirar com o facto de os múltiplos fundamentais de empresas utilities portuguesas (como a PT e a EDP, por exemplo) estarem cronicamente a desconto em relação às congéneres europeias do mesmo sector: é que os gestores de fundos internacionais têm muito mais factores em conta do que os simples rácios fundamentais no momento de alocarem capital a um país como Portugal.
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